Três meses de viagem e sinto dentro uma ansiedade brotando, ansiedade que brota das contradições entre a alma e o ego, dos diferentes tempos que vivo e dos conflitos entre deixar ir e as inseguranças do vazio
Observo emails, movimentos no facebook, vejo a vida acelerada ao meu redor... projetos, mudanças, conquistas, pessoas nascendo, pessoas queridas partindo... sou parte de tudo isso, me sinto ligada a tudo isso, ao mesmo tempo me sinto tão distante, como uma observadora da janela de um trem que passa seguindo em direção a um horizonte distante.
Parte de mim queria viver e compartilhar de tudo isso, e outra parte queria estar exatamente onde está, ah contradições da alma que as vezes não sabe escolher, tão contrataditório assim é o meu ser. A razão se preocupa com que pensam e esperam de mim, o que deveria estar fazendo para pertencer, a alma tranquiliza és parte de todos e todos são parte de ti, não há separação, confia em ti.
Estou vivendo um outro tempo num outro espaço da minha existência, um tempo devagar quase sem pressa do lado de fora, um tempo acelerado e intenso do lado de dentro, e como só existe um lado, o de dentro, ambos os tempos se misturam num tempo sem tempo, difícil de entender e mais ainda de explicar... alguns dias quase infinito e outros menos que um pestanejar.
E dentro de mim a batalha constante entre a alma e o ego para vencer as inseguranças de voltar para meu antigo mundo e não mais me encaixar no mar que navegava, a batalha para confiar em quem eu sou, nas escolhas que fiz, em minha refinada intuição, independente de reconhecimentos ou aceitações externas.
Muito mudou dentro de mim e talvez meu barco já não caiba nos mares que navegava mesmo, e por quais caminhos navegará?
Meu coração sabe o caminho, sabe como navegar novos mares, não dúvida nem teme. Ele é, confia, vive hoje e se nutre para alimentar a futura jornada. Meu ego teme, teme pelo barco que já não navega em mares conhecidos, teme que fique perdido no desconhecido e já não se encontre mais.
E eu, sigo navegando pelos mares desconhecidos pela razão, mas já muito conhecidos pela alma, trilhando os caminhos de significado e deixando para trás as bagagens que já não cabem no navio, me fortalecendo para desbravar as novas trilhas e enfrentar os possíveis dragões.
As vezes os caminhos da alma contradizem a lógica, contradizem as expectativas a nossa volta, mas como não se entregar para os caminhos da alma?
Com amor,
Narjara
Um espaço pra expressar quem somos e compartilhar nossas experiências, reflexões, aprendizados e versos que forem emergindo na peregrinação da alma pelo mundo e pela vida.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
O Significado da Jornada
Há um ano estamos nos preparando para fazer uma viagem, mas não uma viagem comum, uma viagem que nos abra para novos mundos dentro de nós, que nos leve pra lugares desconhecidos e adormecidos, que sacuda a base dos nossos valores e questione nossas práticas, que nos provoque reflexões profundas e nos inspire a servir o nosso melhor, ainda mais, por onde passarmos.
Eu diria que isso é bem mais que uma viagem, é mais um rito de passagem em nossas vidas, do indivíduo para a família, da cidade para a terra, de fora pra dentro... um passo que nos levará para uma nova etapa em nossas vidas que ainda não está muito clara, assim como o momento de transição que estamos vivendo no mundo.
Isso tem sido um processo muito rico, e por vezes bem árduo também. Muita disponibilidade em se trabalhar, desapego de padrões, paciência, consciência, amor e respeito por si mesmo, pelo parceiro e pelo processo. Provavelmente um trabalho contínuo pela vida toda e estamos investindo muito nele, pois acreditamos que esse é o caminho da mudança, através de nós o impacto da mudança é bem maior. Muitas coisas nos prendiam em São Paulo, nos nossos velhos padrões, assim que essa viagem é parte desse processo de entrega e trabalho em nós mesmos e na nossa relação pra deixar o que queremos deixar pra trás e abrirmos mais espaço para que a nossa missão para o mundo ganhe mais força e forma.
Por isso, pra começar decidimos nos esvaziar. Desde que nascemos vamos nos preenchendo com tantas coisas... valores, pressupostos, idéias, papéis, conhecimentos que as vezes ficamos enterrados no meio de tudo isso e quando nos damos conta... onde estamos nós??
cadê nosso verdadeiro ser?? e nossos sonhos??
Como seria nos despirmos de tudo isso e nos olharmos nús de novo, como viemos ao mundo?
O que resta?
Será que o que resta é a única coisa que sempre existiu? a mais preciosa de todas?
A única da qual realmente não existíriamos sem?
Quero experimentar esse lugar.
Começamos a esvaziar nosso 'copo' pra embarcar na jornada vazios... e olha que não achei que fosse tão difícil mergulhar no vazio. Parece que tem uma parte de nós que resiste até o fim com medo de desaparecer... eu acho que é o nosso ego relutando para não desaparecer, com medo, o medo que nos é apresentado de várias formas desde que nascemos... a ausência da confiança, um medo que não existe em nós naturalmente... nascemos completamente vulneráveis e dependentes dos cuidados de nossos pais... quer mais confiança que isso?
É maluco pensar que as vezes nos apegamos a coisas, papéis, sentimentos e pessoas por nos identificamos com elas, como se sem elas fossemos desaparecer. Acho que essa é a melhor forma de explicar esse medo do vazio que encontrei.
No fim, o ego é simplesmente uma forma da nossa expressão aqui na terra e ele não tem como desaparecer, e aí eu acho que entendi que o que estava acontecendo... o ego estava deixando de estar no centro e de comandar para estar a serviço do meu ser e aí a forma de expressão no mundo deixou de ser o mais importante...
Depois de divagar tentando explicar o inexplicável, na prática o que fizemos para mergulhar nesse processo de esvaziamento foi vender nossos carros, alugar o apartamento e nos afastarmos do trabalho. E aí a viagem se tornou um meio para estarmos distantes dos nossos papéis sociais já estabelecidos pra começar a tirar essas camadas a nossa volta e ver o que resta.
Bom, esse é o espírito da nossa jornada de aprendizagem, um grande crescimento interno e muito serviço pro mundo compartilhando nossos aprendizados e experiências pelos continentes Africano e Asiatico.
E o que emergirá dela, só saberemos ao longo do caminho. Por hora, planejamento visitar lugares e ter experiências que nos abram pra novas formas de vida coerentes com o mundo que queremos viver.
Narjara
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