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segunda-feira, 7 de maio de 2012

O movimento da vida

A vida surge do movimento do universo, assim como o movimento surge da vida, um não existe sem o outro

o movimento alimenta a vida e a vida nutre o movimento criando a si própria

o que é vivo está em constante movimento, por vezes invisíveis aos olhos, mas quando o movimento cessa, a vida se esvai, como a flor que murcha ou um corpo que morre

a água de um rio brota da nascente e segue para o mar, num constante movimento que oxigena e renova suas águas possibitando a vida, e quando a água pára, 'apodrece' e já não mais possível se faz a vida, assim é a nossa vida

a energia que flui pelo nosso corpo é como a água de um rio em constante movimento, quando nela surge um bloqueio, seja por uma emoção que não deixamos ir, ou um ressentimento que cultivamos, adoecemos do corpo ou da mente e um pouco de nossa vitalidade se esvai

assim como o rio, nossa vida vai fluindo do nascimento até sua dissolução no mar do universo

e no caminho vai tomando várias formas, diferentes cores e assim se renova e evolui, mas nunca pára

e o que mantém o fluxo da vida em nossos corpos é o nosso espírito que se manifesta pelo coração

não o coração órgão físico, mas o coração sutil que como o físico bombeia sangue, esse bombeia o fluxo da vida animando nossos corpos pelo calor de seu amor manifesto

amor além do romântico, amor que verdadeiramente vê além de si, que é capaz de amar sem distinção, que tudo compreende sem julgar, que é capaz de enxergar os sinais mais sútis e manifestar a inteligência de nossa intuição quando silenciamos

o conhecimento via razão nos guia até certo ponto da evolução, mas a partir desse ponto só amor é capaz de alcançar conhecimento que a razão jamais compreenderá 

Narjara

 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Significado da Jornada

Há um ano estamos nos preparando para fazer uma viagem, mas não uma viagem comum, uma viagem que nos abra para novos mundos dentro de nós, que nos leve pra lugares desconhecidos e adormecidos, que sacuda a base dos nossos valores e questione nossas práticas, que nos provoque reflexões profundas e nos inspire a servir o nosso melhor, ainda mais, por onde passarmos.

Eu diria que isso é bem mais que uma viagem, é mais um rito de passagem em nossas vidas, do indivíduo para a família, da cidade para a terra, de fora pra dentro... um passo que nos levará para uma nova etapa em nossas vidas que ainda não está muito clara, assim como o momento de transição que estamos vivendo no mundo.

Acho que parte do motivo pelo qual escolhemos viajar nesse momento, é porque nos sentimos parte dessa grande mudança, como guerreiros da luz lutando por um mundo com mais significado, amor e harmonia, onde todos possamos desenvolver nosso potencial ao máximo e ser felizes. E para isso, estamos começando por nós mesmos sendo um exemplo desse mundo.

Isso tem sido um processo muito rico, e por vezes bem árduo também. Muita disponibilidade em se trabalhar, desapego de padrões, paciência, consciência, amor e respeito por si mesmo, pelo parceiro e pelo processo. Provavelmente um trabalho contínuo pela vida toda e estamos investindo muito nele, pois acreditamos que esse é o caminho da mudança, através de nós o impacto da mudança é bem maior.

Muitas coisas nos prendiam em São Paulo, nos nossos velhos padrões, assim que essa viagem é parte desse processo de entrega e trabalho em nós mesmos e na nossa relação pra deixar o que queremos deixar pra trás e abrirmos mais espaço para que a nossa missão para o mundo ganhe mais força e forma.

Por isso, pra começar decidimos nos esvaziar. Desde que nascemos vamos nos preenchendo com tantas coisas... valores, pressupostos, idéias, papéis, conhecimentos que as vezes ficamos enterrados no meio de tudo isso e quando nos damos conta... onde estamos nós??
cadê nosso verdadeiro ser?? e nossos sonhos??

Como seria nos despirmos de tudo isso e nos olharmos nús de novo, como viemos ao mundo?
O que resta?
Será que o que resta é a única coisa que sempre existiu? a mais preciosa de todas?
A única da qual realmente não existíriamos sem?
Quero experimentar esse lugar.

Começamos a esvaziar nosso 'copo' pra embarcar na jornada vazios... e olha que não achei que fosse tão difícil mergulhar no vazio. Parece que tem uma parte de nós que resiste até o fim com medo de desaparecer... eu acho que é o nosso ego relutando para não desaparecer, com medo, o medo que nos é apresentado de várias formas desde que nascemos... a ausência da confiança, um medo que não existe em nós naturalmente... nascemos completamente vulneráveis e dependentes dos cuidados de nossos pais... quer mais confiança que isso?

É maluco pensar que as vezes nos apegamos a coisas, papéis, sentimentos e pessoas por nos identificamos com elas, como se sem elas fossemos desaparecer. Acho que essa é a melhor forma de explicar esse medo do vazio que encontrei.

No fim, o ego é simplesmente uma forma da nossa expressão aqui na terra e ele não tem como desaparecer, e aí eu acho que entendi que o que estava acontecendo... o ego estava deixando de estar no centro e de comandar para estar a serviço do meu ser e aí a forma de expressão no mundo deixou de ser o mais importante...

Depois de divagar tentando explicar o inexplicável, na prática o que fizemos para mergulhar nesse processo de esvaziamento foi vender nossos carros, alugar o apartamento e nos afastarmos do trabalho. E aí a viagem se tornou um meio para estarmos distantes dos nossos papéis sociais já estabelecidos pra começar a tirar essas camadas a nossa volta e ver o que resta.

Bom, esse é o espírito da nossa jornada de aprendizagem, um grande crescimento interno e muito serviço pro mundo compartilhando nossos aprendizados e experiências pelos continentes Africano e Asiatico.

E o que emergirá dela, só saberemos ao longo do caminho. Por hora, planejamento visitar lugares e ter experiências que nos abram pra novas formas de vida coerentes com o mundo que queremos viver.


Narjara